quarta-feira, 14 de julho de 2021

a madeira das coisas

isto é também história         madeira empilhada
exalando ao sol a secura
sangrando resina e lentamente
confessando ao ouvido curioso de insetos
como é ser-se cidade
resignada à beira de um caminho
por visitar
como um pai no asilo
exilando-me da sua memória

na passagem sucessiva dos dias
a outros o teu corpo irá
cinzentar raízes         disso
nada saberá        mesmo gravado
como memento nas rugas de cascas 
                     nada lhe será revelado quando
num instante         vindo aos seus lábios
incerto          o teu nome caído          num doce
fio de baba                               de um arquivo
como se nomeasse
uma criatura dos primeiros dias         depois
repetindo com o ar sorvado
na mecânica das coisas de todos
os corpos
para confirmar o esquecimento
para confirmar 

                       recordo        foi de pinhos o seu cheiro
                                    trago a lembrança junto ao nariz
para iludir o aroma pungente
de urina que se entranhava como sândalo
enquanto cumpria         bem mais que uma testemunha 
                             o pôr e depor das máscaras ofertadas

é triste a madeira das coisas
empilhada para poemas

terça-feira, 13 de julho de 2021

intimação

por vezes uma palavra reflete
a imagem do meu dever         horrorizado
entro num quarto frio
deixando de fora o amor
a criança o mundo

como um livro de biblioteca solicita um olho
que se recusa a vê-lo
bates à porta e ninguém responde

ao cimo das escadas
há um anjo de punhos erguidos
na sua língua inimitável
intima o coração
deixa de procrastinar

sentada na cama        a parede
escuta o teu choro
branco
quase sereno como a desistência
junto a ti concedo
começo a trepar

segunda-feira, 12 de julho de 2021

aceder à raiz

vindo de um escuro
coroa o nenúfar
o rio        cerca-se de abandono
o olhar no silêncio das águas

espelho que te cega
para que atentes ao canto
das aves negras que dividem
a vida da manhã e da noite

de pés nus pela erva fresca avança
tudo pode uma vez mais começar
o canto quebra o gelo aparta as águas

há que preparar a casa encontrar o lugar
da partilha da luz e da sombra
onde a semente acede à raiz

domingo, 11 de julho de 2021

Pirilampo

iluminei a tua infância         trouxe estrelas
à tua mão
a mesma que         guiada com inocência 
                       me fechava em jarros
tornando-me guardião dos sonhos 
                                                        caçador de pesadelos
e da morte que soprava
o lume pela manhã         enojada a mãe deitava
o corpo apagado pelas janelas
das traseiras
onde medrava salsa coentro hortelã

eu acendia a tua imaginação 

hoje são outras as químicas
para os teus olhos 
                                            ou cursos para abraçares
a tua criança interior
mas eu vivo ainda 
nos bosques à beira-rio         basta 
                                                       a tua atenção

segunda-feira, 5 de julho de 2021

mãos para erguer a semente crescida

até surgir o rosto
no espelho farto de cãs
estás suspenso no presente contínuo
e vida e morte falam
a sua língua surda de mel e ferro

menos por soberba que terror
adias a ruína com água fresca
na concha das mãos incapazes
de mentir         no outono
estarão prontas para erguer
a semente crescida

um pouco mais para junto do sol
um pouco mais certa a aproximação
da velhice

domingo, 4 de julho de 2021

barro

espalhaste barro no meu corpo
para chegar o frio à queimadura

lâminas afogaram cada poro

também lá fora por trás
das cortinas de renda      os animais
se estenderam na terra cinza
sobre o fogo armazenado
para a noite alumiada a esperança e lua

sábado, 3 de julho de 2021

papoila

escrevo a luz que a escava
o mistério que se derrama
na sua floração de
vermelho negro e sonho
a terra escura foi a sua morada
aí me deitei muitas vezes intrigado
com a caruma abrasada
erguida para a exposição
num tímido fausto carnal
como uma agulha na veia abrindo a via
para ampolas se enrubescerem         as papoilas
deliram os campos cheios de espigas
ternos corações que amolecem
os espinhos do dia

sexta-feira, 2 de julho de 2021

a possibilidade da tua ausência

quando as primeiras lâminas
d’aurora nos trespassam as pálpebras
e o meu corpo garroteado por uma febre
me traz ao farol da consciência
sei que tudo é finalmente possível
e o impossível é ainda uma possibilidade
como retornares
um olhar que ignora o rosto
que te olha como se portasse
a marca do infamiliar
como a tua ausência         um dia
                                 desta cama onde morremos
todas as noites

quinta-feira, 1 de julho de 2021

a mão escuta

todas as lágrimas do mundo
suspendem-se nos ramos
desta árvore

todo o sal da terra
deu-nos esta flor         uma língua
para as coisas na sombra do visível

estamos os dois aqui presentes
vemos o que se aproxima
com a atenção da gralha no telhado

a mão escuta no ventre
o morse da vida

terça-feira, 29 de junho de 2021

escuto ainda

este é um lugar igual a todos
os outros
esplêndido na pobreza das moradas

avanço com o olhar
alheado na incompreensão
se me calo        juro 
                   escuto ainda no vagar das ondas
o retinir das trombetas de babel

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Fim

a um morto nada se recusa
Mário de Sá Carneiro

quando eu morrer não batam em latas
não assustem os espíritos
deixem um pensamento
antigo e enterrado vos beije a testa
e qualquer coisa ancestral
se aproxime dos lábios a jeito
de lamento ou canção bêbeda

não clamo por um burro que me carregue
mesmo sem pneuma esse        como outros
animais         deverá permanecer livre
da mão humana
desta carne destes ossos do que restar
da doação dos órgãos
(tratei este corpo como um templo
após a ruína da juventude)

venha depois o fogo e me consuma pela noite
dentro
toquem em flautas instrumentos
de sopro e cordas
ou a Prayer de Keith Jarrett em repeat
como ruído branco         festejem
como bacantes         levem as minhas cinzas
para o jardim do museu
do teatro belo na sua mistura clássica e agreste
(se ainda existir) e quem ficar e me queira
lembrar
que ponha uma pedra como se na memória
e o meu epitáfio (lázaro)
a ser lido

sábado, 19 de junho de 2021

já tudo está no invisível

já tudo está no invisível
na sua pronta potência
numa calma cega
muda

semente no escuro da terra
abrindo-se ao ouro de água fria
e ao olho na sua posse futura

frente ao rio lento
que do fundo do lodo se cortou
de verdes colunas e volúpia
de nenúfares
inebrio-me com o ar enobrecido
pelas lágrimas dos algodoeiros

reconheço o poema a vida
vindos de muito longe
para outro tempo após
a minha morte
na mesma exuberância
magnificência de baleia
e sua profunda inspiração
para o profundo mergulho

até que a linha cantante me vem
à boca dos dedos
e conduz a valsa do instante

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Mosquito

o pensamento da geração futura
angustia-me         o que terei de prover
para que não morra nunca o que somos
                    dá-me uma febre de ferro e sal
busco nas flores carnudas o néctar rubro
a correr na rede azul         a vida
é curta o risco grande como uma amante
justifico-me ao teu ouvido
suporto as tuas injúrias
o peso da tua mão         que amoral é
a dolorosa perseverança no meu ser

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Lawrence Ferlinghetti - Uma Coney Island da Mente [10]

10
                        Eu não me deitei com a beleza toda a minha vida
                                contando uma e outra vez para mim
                                                                        os seus encantos mais abundantes

                Eu não me deitei com a beleza toda a minha vida
                                                            e mentido também com ela
                            contando uma e outra vez para mim
                                                      como a beleza nunca morre
                                mas deita-se separada
                                                    junto dos aborígenes
                                                                                da arte
                                    e muito além dos campos de batalha
                                                                                do amor

                        Está muito acima de tudo isso
                                                                        oh sim
                senta-se no mais escolhido dos
                                                                            bancos da Igreja
            lá em cima onde os directores de arte se encontram
        para escolherem as coisas para a imortalidade
                                                                 E eles deitaram-se com a beleza
                                    todas as suas vidas
                                                        E alimentaram-se de ambrósia
                e beberam os vinhos do Paraíso
                                                          de modo que eles sabem exactamente como
                    uma coisa da beleza é uma alegria
                        para sempre e sempre
                                                                        e como nunca por nunca
                            pode desaparecer
                                                                    num nada de dinheiro-perdido

            Oh não eu não me deitei
                                        no Repouso da Beleza assim
                com medo de me levantar à noite
                                                        por temer que de algum modo perca
        qualquer movimento que a beleza possa ter feito

            Todavia dormi com a beleza
                                                    na minha própria estranha maneira
    e fiz uma ou outra pobre cena
                                                        com a beleza na minha cama
        e assim despejei mais um ou dois poemas
            e assim despejei mais um ou dois poemas
                                                                sobre este mundo Boscheano


in Lawrence Ferlinghetti, A Coney Island of the Mind, New York, New Directions, s.d. (1958): 23-24.

terça-feira, 15 de junho de 2021

Lawrence Ferlinghetti - Uma Coney Island da Mente [9]

9
T’ás a ver
                 foi assim
                                quando valsámos para este lugar
um par de gatos malucos
                                    está a fazer um passo-duplo Azteca
E eu diz
                Meu vamos bazar
mas depois esta gaja
                                vem detrás de mim t’ás a ver
                                                   e diz
                                    Tu e eu poderíamos mesmo existir
É pá eu diz
                 Só que no dia a seguir
                          ela tem dentes podres
                                         e detesta mesmo
                                                                    poesia

in Lawrence Ferlinghetti, A Coney Island of the Mind, New York, New Directions, s.d. (1958): 22.


segunda-feira, 14 de junho de 2021

Lawrence Ferlinghetti - Uma Coney Island da Mente [8]

8

            Nesse dia no Golden Gate Park
                                                   um homem e a sua esposa estavam vindo
                pelo enorme prado
                                               que era o prado do mundo
ele usava suspensórios verdes
                                      e trazia numa mão uma velha flauta a cair aos pedaços
        enquanto a sua esposa tinha um cacho de uvas
                                                          que ia dando individualmente
                                                                 a vários esquilos
                                                                    como se cada uma fosse uma pequena piada

    E depois os dois seguiram
                                    pelo enorme prado
que era o prado do mundo
                                            e depois
                num sítio muito quieto onde as árvores sonhavam
            e pareciam ter estado à espera desde sempre
                                                                                    por eles
                sentaram-se juntos na relva
                                                    sem se olharem
                    e comeram laranjas
                                            sem se olharem
                                                                e puseram as cascas
                num cesto que parece
                                                    terem trazido para esse propósito
                    sem se olharem

    E depois
                  ele despiu a sua camisa e camisola interior
            mas deixou posto o seu chapéu
                                                            de lado
                                                                        e sem nada dizer
                adormeceu debaixo do chapéu
                                                                E a sua esposa ali estava sentada a observar
os pássaros que voavam por aí
        chamando uns pelos outros
                                               no ar parado
            como se questionassem a existência
                                                    ou a tentar lembrar qualquer coisa esquecida
    Mas finalmente depois
                                    também ela se estendeu
                                                                    e deixou-se estar a olhar para nada
                porém a dedilhar a velha flauta
                                                                que ninguém tocava
                    e finalmente olhou
                                                    para ele
         sem qualquer expressão em particular
                                                                    excepto um certo olhar
                de terrível depressão


in Lawrence Ferlinghetti, A Coney Island of the Mind, New York, New Directions, s.d. (1958): 20-21.

domingo, 13 de junho de 2021

Lawrence Ferlinghetti - Uma Coney Island da Mente [7]

7

O que poderia ela dizer ao fantástico ursotolo
e o que poderia ela dizer ao irmão
e o que poderia ela dizer
                                         ao gato com pés futuros
e o que poderia ela dizer à mãe
depois desse dia em que se deitou exuberante
                                                                entre as azedas
        nessa margem quente do rio
            em que as samabaias caíam no ar quebrado
                    do bafo do seu amante
    e os pássaros ficaram malucos
                                        a atiraram-se das árvores
para provarem do chão as ainda quentes
                                                            derramadas sementes de sémen


in Lawrence Ferlinghetti, A Coney Island of the Mind, New York, New Directions, s.d. (1958): 19.

sábado, 12 de junho de 2021

Lawrence Ferlinghetti - Uma Coney Island da Mente [6]





6

                        Eles estavam a erigir a estátua
                                de São Francisco
                            frente à igreja
                                de São Francisco
                                    na cidade de São Francisco
                    numa pequena travessa
                                                    mesmo à saída da avenida
                                                                              onde nenhum pássaro cantou
                        e o sol estava a levantar-se à hora
                                                                               no seu típico modo
                            e mesmo a principiar a brilhar
                                                                na estátua de São Francisco
                                onde nenhum pássaro cantou

                E uma quantidade de velhos italianos
                                                        amontoavam-se ao redor
                    numa pequena travessa
                                                        mesmo à saída da Avenida
                        a observar os trabalhadores manhosos
                                                        que içavam a estátua
        com uma corrente e uma grua
                                                    e outros implementos
    E uma quantidade de jovens repórteres
                                                            em roupas muito abotoadas
           estavam a apontar as palavras
                                                            de um jovem padre
                que estava a sustentar a estátua
                                                                com todos os seus argumentos

                                E enquanto isso
                                                        enquanto nenhum pássaro cantou
                                                                     qualquer Paixão de São Francisco
e enquanto os espectadores continuavam a espectar
                                                                     para São Francisco
        com os seus braços esticados
                                                                     para os pássaros que não estavam lá
            uma muito alta e muito puramente jovem
                                                                          virgem nua
                com um muito longo e muito direito
                                                                    cabelo de palha
                    e somente trajando um muito pequeno
                                                                          ninho de pássaros
                        num lugar muito existencial
                                                        continuou a atravessar a multidão
                                                                                              enquanto tudo isso
                                a subir e a descer os degraus
                                                                         à frente de São Francisco
                        os seus olhos abatidos o tempo todo
                                                                                e a cantar para si mesma


in Lawrence Ferlinghetti, A Coney Island of the Mind, New York, New Directions, s.d. (1958), 44th edition: 17-18

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Lawrence Ferlinghetti - Uma Coney Island da mente [5]


 

                    A dado momento na eternidade
                                                                      aparecem uns gajos
e um deles
                 que aparece muito tarde
                                                        é uma espécie de carpinteiro
        de um qualquer sítio chato
                                                  tipo Galileia
            e começa a lamentar-se
                                                  e a arrogar-se de que é unha
                com carne com aquele que criou o céu
                                                                              e a terra
                                                                                            e que o gato
                    que na verdade largou tudo sobre nós
                                                                        é o seu Pai

            E mais ainda
                acrescenta ele
                                       'tá tudo escrito
                                                    numa espécie de pergaminhos
              que uns capangas
                                    deixam pr'aí algures no Mar Morto
                    há muito tempo atrás
                                                      e que vocês nem sequer vão encontrar
por um par de mil anos ou assim
                                                    ou pelo menos
        por uns mil novecentos e quarenta e sete
                                                                         deles
                                          para ser mais exacto
                                                                           e mesmo então
             ninguém acredita neles
                                               ou eu
                                                    se querem saber

             Estás a arder
                                dizem-lhe
             e arrefecem-no
             esticam-no na Árvore para o refrescarem 
                     e toda a gente depois disso
                                                            está sempre a fazer modelos
                            dessa Árvore
                                                 com Ele pendurado
e sempre a murmurar o Seu nome
                                                     e a pedirem-Lhe que desça
                        e que se sente
                                              com o grupo deles
        como se ele fosse o rei gato
                                                que tem de rebentar
                                                        ou eles não se vão safar  
        Só que ele não desce
                                           da sua Árvore
Só está pr'ali pendurado
                                       na Sua Árvore
                                                              parecendo completamente renegado*       
                                         e mesmo porreiro
                                                                        e também
            de acordo com um resumo
                                                      de últimas notícias mundiais
       das fontes duvidosas do costume
                                                            mesmo morto


*jogo difícil de passar para português. no original lê-se "Petered out", que significa esgotado, falhado, cansado; porém, usando a maiúscula, substantivando o adjectivo e remetendo a Pedro que o renegou três vezes, decidi por escrever renegado em vez de esgotado.


in Lawrence Ferlinghetti, A Coney Island of the Mind, New York, New Directions, s.d. (1958), 44th edition: 15-16

quinta-feira, 10 de junho de 2021

[a manhã é sempre periclitante avança]

a manhã é sempre periclitante         avança
com cuidado         a vida escolhe a fractura
a possibilidade
quando te ergues já toda a ebulição
ladrou nos corredores íntimos
e à cegueira aproximou-se
o coração         avança mede a distância
das palavras ao gesto o peso
da vontade resoluta sobre a submissa
como um cão volta a casa rente às paredes
encontra um canto
e espera a passagem da tempestade
até ao dia o sol sempre virá

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Seddiner See

de dentro da sombra sai-se para o cheiro
de areia seca e o cansaço de melancólicas
árvores embaladas pelo vento         seduzem
o fogo e a mão que o traz como o espelho
ao nariz do moribundo         virgens prometidas
ao mártir         abre-se o passo para a antecâmara
de searas cantadas por cigarras
e um verão
à beira de lagos verdes
os pés em lodo antigo
onde grassa a morte
junto ao canavial

fala-se do que virá deixando a esperança
adormecer a cabeça escura
o mundo vem à tua mão
assim erguida deusa telúrica
primitiva
bela com uma vida orgulhosa no útero lacustre
eu venho à tua mão de olhos
abertos e chamas nas minhas costas

adormecemos e acordamos e ainda cantam
as cigarras         ainda se respira 
(ainda se pode)
                                                    e tudo o que é grave
suspende a sua ruminação do medo

terça-feira, 8 de junho de 2021

Homem

com o mito da expulsão encobri a verdade
mais crua         a surdez à voz mais íntima
e a certeza de não possuir uma morada

caminhando sempre para dentro
tornei-me o mais temido e o mais temeroso
vacilando entre o sublime
e o nojento                                    só eu conheço
a usura e o amor

desde que surgi já muito
(tudo)                               passou
ainda não te escutei
desabitei a vida
e submeti a casa à lei e lógica do não-lugar

serei alguma vez perdoado

segunda-feira, 7 de junho de 2021

a noite pelo corpo

um pássaro alisa as asas
o musgo passa a seda

as horas num vagar de pios

até que a larva se torne
na borboleta que lhe mascara
o rosto com nada a dizer
e uma história no corpo
por se decifrar

domingo, 6 de junho de 2021

poema de afogamento

aqui um mundo

pó pedras
arenosas rosas
a mão lenta no tenso
da ondulação

aqui outro mundo
(tu)
sob a bátega doutra água
no calcanhar

sussurro:
de páris a mortal flecha