domingo, 14 de janeiro de 2018

Informação - lançamento de 'Imagens Roubadas', de Fernando Guerreiro pela Enfermaria 6



Convite


Sexta-feira, 19 de Janeiro,
pelas 17h na Linha de Sombra, em Lisboa (Cinemateca).
José Bértolo e Tiago Silva devolvem as Imagens Roubadas
por Fernando Guerreiro na enfermaria

Links:

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

[como uma estrela que te queima]

como uma estrela que te queima
o rosto        a vida fende por entre
tudo        vai ao encontro
       como a minha língua
de todos
              os teus lábios
                                    de tuas bocas

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

a vida tem-te no seu esquecimento

enquanto o vento rumina
a paisagem tudo se passa sob
a aparéncia        o luxo na pele
das coisas        muda o modo
de ver        atenta
                            atenta a
(deus) vida tem-te no seu esquecimento
e ignoras a sua infinita presensa
no musgo no olhar do animal
que te vé nu e indistinto
como qualquer outro

enquanto o vento toca o campo
destituite da tua realeza


Bad Meinberg

(nota - escrito num teclado näo portugues, será corrigido mais tarde)

domingo, 24 de dezembro de 2017

votos

aos 67 leitores, que abaixo se acham representados, desejo os votos de um feliz natal e bom ano!

e, claro, a todos os outr@s também!

abrassos

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

a lissäo do verde

agarrada ao frágil ramo
a cotovia ri do esplendor
gelado e nu do inverno
ostenta os seus azuis
ao sol        ensina a árvore
a recuperar o verde


Bad Meinberg

(nota - escrito num teclado näo portugues, será corrigido mais tarde)

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

batem os sinos na sala

o homem do sol poente
enche com nada o siléncio
incapaz de emudecer os burburigmos
do corpo         o rumor da vida
sufoca o que por fora vai
rodeando o seu ouvido escondendo
as vozes das coisas

onde numa sala tem o luxo
de se aquietar e abrir o fole
dos pulmöes a meio do tempo
inquieta-se com o mundo
fala        tosse        liga as máquinas
para que tudo se afaste de si

o ego é um martelo
batendo num sino
tudo se cala à volta
e a todos chama
para lhe prestar atencäo


Bad Meinberg

(nota - escrito num teclado näo portugues, será corrigido mais tarde)

domingo, 17 de dezembro de 2017

Informação - Convite para a apresentação de 'Ao jeito dos bichos caçados' de Otávio Campos pela Enfermaria 6

 

 



Convite


Caros Amigos,

É com muita alegria que vos convidamos para a apresentação do nosso novo livro, Ao jeito dos bichos caçados, de Otávio Campos.
A apresentação contará com a presença do Otávio e estará a cargo de Mariano Alejandro Ribeiro, Mariano Marovatto e Ederval Fernandes. Terá lugar já na próxima sexta-feira, dia 22 de Dezembro, no Bar Irreal, em Lisboa, pelas 20 horas. Teríamos muito gosto em vos ver lá.
Poderão encontrar aqui os primeiros poemas do livro.
Com os nossos melhores cumprimentos,
Enfermaria 6
Links:
Enfermaria 6
www.enfermaria6.com
enfermariaseis@gmail.com

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

108 sonnengrüße

fiz 108
agradecimentos ao sol
e         enquanto comia
em siléncio        o sol
por entre as nuvens
incendiou a neve e o meu olhar
uma simples troca de
cumprimentos entre cavalheiros


Bad Meinberg

(nota - escrito num teclado näo portugues, será corrigido mais tarde)

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

a voz de longe

um fruto dificilmente
rebentará         permanece a terra
fértil e as sementes deixam-se
tocar pela secura e a podridäo

tenho quanto baste mäos
pernas tronco um corpo
em vida que te abrassa com os olhos
postos no leste

para aí chegar canto        busco onde pör
a voz        fasso-a habitar
a cämara escura entre a barriga e a garganta
e tocar-te aí - täo longe

täo longe onde estás - vagabundo no tempo
depois enfim dizer-te do amor
o segredo: conhesso-te         depois morrer
como quem morde uma massä         como

quem faz estalar um caminho
de choröes ao longo de falésias livrando a pele
a curtir-se de sal ou voltando um dia a casa
e embriagar-me com o rosto

enredado no teu cabelo
sentado em telhados para o lado
do castelo com a mäo despedindo-se
na ondulassäo do teu mar


Bad Meinberg

(nota - escrito num teclado näo portugues, será corrigido mais tarde)

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

campos caídos em siléncio

nevou o dia
inteiro        sob esse peso
caíram os campos
em siléncio

nos ramos mais altos das caducas
árvores pousavam em admiracäo
as aves de olhar
persistido no vazio

eu respiro em profundidade
sentado no mundo        atravesso-o
de coracäo aberto pela dor

e a tua auséncia
o tempo gelado nesta paisagem
näo arrefece o desejo

Bad Meinberg

(nota - escrito num teclado näo portugues, será corrigido mais tarde)

sábado, 9 de dezembro de 2017

é para a vida que um rosto se vira

nascemos para a morte para sermos
um instrumento para a vida
assim o canto do melro a cortar
as trevas da noite         a onda um lencol
cobrindo as marcas dos corpos
dos amantes nas suas contorsöes de despedida
läminas vegetais pelas negras fracturas
o mudo grito da vagina e a água matricial
para a nossa vinda aquática         o interesse
no olhar do gato no para lá
de uma invisível fronteira de areia
ohno kazuo persistindo na dansa após um século
quando já o corpo dava de si abrassando a paralisia
também nós teimosamente          como
o secretamente sabemos           fechando os olhos
arrastando o cadáver de uma relassäo
mesmo face ao desenlace é para a vida
ainda que o rosto se vira
vendo a morte estendendo os brassos
para o beijo que leva o sopro
de retorno à vida

Berlim - Bad Meinberg

(nota - escrito num teclado näo portugues, será corrigido mais tarde)

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Informação - Apresentação de 145 poemas, de Kaváfis, no Porto, 9 Dez.


O livro 145 poemas, de Konstantinos Kaváfis, com tradução e apresentação deManuel Resende, vai ser apresentado no Porto, no dia 9 de Dezembro, em três momentos diferentes.

Entre as 10h00 e as 19h00, a Flop vai estar na Livraria Poetria para entregar os exemplares a todos os co-editores do livro. A Poetria terá também livros para venda a preço especial de lançamento.

A partir das 16h00, serão lidos poemas deste livro em alguns cafés das imediações, num percurso que junta o Café Vitória, o Aduela e o Pipa Velha.

Às 22h00, as Galerias Lumière abrem fora de horas para uma conversa com alguns co-editores do livro e uma leitura em português, por Isaque Ferreira, e em grego, por Ioli Georgila.

Contamos com todas e com todos.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017



And no more shall we part
It will no longer be necessary
And no more will I say, dear heart
I am alone and she has left me

And no more shall we part
The contracts are drawn up, 
The ring is locked upon the finger
And never again will my letters start
Sadly, or in the depths of winter

And no more shall we part
All the hatchets have been buried now
And all of the birds will sing to your 
beautiful heart
Upon the bough

And no more shall we part
Your chain of command 
Has been silenced now
And all of those birds 
Would've sung to your beautiful heart
Anyhow

Lord, stay by me
Don't go down
I will never be free
If I'm not free now

Lord, stay by me
Don't go down
I never was free
What are you talking about?

For no more shall we part
And no more shall we part

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

4 citações (amor, vida, sentido e criação)

"Mas eu, amor: isto não pode ter-me acontecido apenas por desleixo. Mas amor, meu amor, porque foi que viemos a nos abandonar um ao outro; como é que eu e tu deixámos que entre nós se interpusesse esta aparência de abandono?"

"(...) dizer-lhes sem palavras como é bela a vida vista por quem por ela morre - agora e amanhã e sempre enquanto dia e noite e lágrimas houver)."

"Não saia fora do caminho que é o seu e o levará à porta a que só você tem o direito de meter a chave. A porta atrás da qual se encontra a pedra com o teu nome verdadeiro."

"A Criação não terminada ainda: de mãos a essa obra havia uma disseminada categoria de pessoas cuja credencial era denunciada pelo modeo de serem no seu tempo. Por serem do seu tempo eram necessariamente contra os instalados no seu tempo. Os fabricadores da Nova Terra nunca seriam normais, porque a norma se mantém ao abrigo das situações-limite (e a Nova Terra só podia surgir por meio de arrombamento pacífico de tudo o que limitava o Homem)."

in Nuno Bragança, Directa, Lisboa, Moraes Editores, col. Círculo de prosa, 1977: 266-276 e 270-271.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Grizzly Bear - Mourning sounds



I made a mistake
I should have never tried

I took the cake
Finished every slice
I moved away
Still playing off the fights
For every day
I share our love delight

I stare at the face
Looking through my eyes
I move at a pace
That I cannot survive
I'm hauling away
I do it all the time
Let love age
And watch it burn out and die

I woke to the sound of dogs
To the sound of distant shots and passing trucks
We woke with the mourning sound
It's the sound of distant shots and passing trucks
We woke with the mourning sound
It's the sound of distant shots and passing trucks


I own the faith
Could never have denied
This isn't a place
Where I can even try
I'm hauling away
I do it all the time
Let love age
And watch it burn out and die

We woke with the mourning sound
It's the sound of distant shots and passing trucks
We woke with the mourning sound
It's the sound of distant shots and passing trucks
We woke with the mourning sound
It's the sound of distant shots and passing trucks

sábado, 2 de dezembro de 2017

Galway Kinnell - Cara estranha existindo na memória à beira do Juniata azul (conclusão)


5

Nesta margem – a nossa margem –
da desaparecida água azul, tu deitas-te,
chorando no teu leito, escutando esses
mínimos
temíveis estrondos
de despedidas trespassando os bosques virginais no crepúsculo.

Também eu comi
as refeições do litoral negro. No próprio
colchão do tempo, onde um trapo com a forma de um corpo
está deitado junto a um trapo – sepulturas
para onde são lançados
por aqueles que vieram antes,
amantes,
ou amigos queridos,
ou estranhos,
que aqui amaram,
ou aqui enterraram os seus dentes de pesadelo,
ou afugentaram os seus engates,
o sagrado sino tine a cada hora para morrer contra a cidade de folha de vidro –

deito-me sem dormir, lembrando
o corpo maduro
da galinha, o calor da carne da galinha
assustando as minhas mãos,
todos os seus desejos,
todos os seus cheiros de morte,
florescendo uma vez mais na noite estrelada. E depois a espera –

não longa, concedo, mas por toda a minha vida –
pelo suave, pequeno
baque do seu retorno entre as pedras.

Poderá alguma vez ser verdade –
todos os corpos, um só corpo, uma luz
a união feita das trevas de cada um?


6

Caro Galway,
                     Não tenho a quem recorrer porque Deus é meu inimigo. Ele deu-me a luxúria e o prazer e cortou-me as mãos. O meu cérebro está sufocado com o seu sangue. Perguntei porque hei-de amar este corpo que temo. Ele disse, É tão magnificente que nunca mais pode ser perfilado – meu caixão, querido e brilhante. Nunca te orgulhaste tanto de uma coisa que a quisesses para a tua presa? A sua voz estrangula a minha garganta. Alma de áspides, senhor e captor: ele quer matar-me. Perdoe a minha cegueira.  
A sua, nas trevas,
Virginia

7

Cara estranha
existindo na memória à beira do Juniata azul,
estas cartas
através do tempo creio eu
serão a única coisa que saberemos um do outro.

Tão pouco o que cada um é desfia-se a si mesmo pelo olho
de um espaço vazio.

Esqueça.
O eu não é o pior de tudo.
Que as nossas cicatrizes se apaixonem.


in Galway Kinnell, The Book of Nightmares, Boston & New York, Houghton Mifflin Company, 1971: 29-31.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Galway Kinnell - Cara estranha existindo na memória junto ao Juniata azul (cont.)



3

Ao crepúsculo, à beira do Juniata azul –
“uma América rural,” dizia a revista,
“agora desaparecida, mas existindo na memória,
um jardim primordial perdido para sempre...”
(“Estás a ver,” disse à Mamã, “nós só pensamos que estivemos aqui...” –
os caçadores de raízes
vão para as florestas, arrancam
raízes-de-amor das clareiras virginais, dobram
os caules com as alças das pás
levantam-nas, o enorme,
grave, estrondo
final à medida que as raízes se separam do seu lugar.


4

Pegue numa chaleira
de água azul.
Ferva sobre um torcido lume
de cinzas de madeira. Moa a raiz.
Ponha dentro. Deixe macerar. Reaqueça
sobre as cinzas cinzas. Engarrafe.
Rolhe com um polegar
de um morto. Amadureça
por quarenta dias em esterco de cavalo
num lugar selvagem. Beba.
Durma.

E quando acordar –
se acordar – será no ano sótico
feito pelos selvagens crescidos
dos fragmentos todos inacabados
dos anos passados, sobras
e abandonos da mortalidade do tempo
não poderiam triturar para a sua refeição de sangue e riso.

E se houver mais um amor
a ser reconhecido, mais um poema
a ser aberto para a vida,
encontrá-lo-ás aqui
ou em lado algum. A tua mão mover-se-á
por si própria
ao longo da via curva, atraída
pelo terror e a lura medonha
do vácuo:

um rosto materializa-se nas tuas mãos,
na absoluta brancura de páginas
um poema escreve-se a si mesmo: o seu título – o sonho
de todos os poemas e o texto
de todos os amores – “Ternura em relação à Existência.”


in Galway Kinnell, The Book of Nightmares, Boston & New York, Houghton Mifflin Company, 1971: 28-29

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Devendra Banhart - A sight to behold



It's a sight to behold
When you got small words to mold
And you can make 'em your own

Still love it would be much better
Love it would be much better
I'm told

It's like golden corn
And i love its golden glow
It's the little head inside your little hole
And out spring some sparkling thoughts

Still love it would be much better
Love it would be much better
Love it would be much better
Love it would be much better

It's like finding home
In an old folk song
That you've never ever heard
Still you know every word
And for sure you can sing along

But love it would be much better
Love it would be much better
Love it would be much better
Love it would be much better
I know, I know

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Galway Kinnell - Cara estranha existindo na memória junto ao Juniata azul


1
Após ter desistido
do porteiro, desmaiado
sob o seu relógio, que deveria ter batido
é de manhã
na porta de chapa fechada pela polícia,

posso ouvir o tino
do pequeno sino sacro, da Velha Torre, errando
pela cidade – quimo
dos nossos amores
a peristalse da vontade de amar para sempre
guia-nos, grão
após grão, até ao último,
o mais frio dos quartos, que é a memória –

e escutar os vermes
habitando debaixo das camas onde velhos morreram
rastejando cá para fora,
furando pelo cérebro e cortando
os nervos que guardam o livro da solidão.

2
Caro Galway,
          Começou tarde numa noite de Abril em que não conseguia dormir. Era a escuridão da lua. A minha mão ficou dormente, o lápis correu pela página guiando-se no seu caminho por não sei que razão. Desenhou círculos, oitos e mandalas. Chorei. Tive de largar o lápis. Eu tremia. Fui para a cama e tentei rezar. Por fim acalmei-me. Depois senti a minha boca abrir-se. A minha língua moveu-se, a minha respiração não era mais minha. O sussurro que forçou a sua saída pelos meus dentes disse, Virginia, os teus olhos brilham para mim do meu mundo. Oh Deus, pensei. A minha respiração diminuiu, o meu coração abriu-se. Oh Deus, pensei, agora tenho um demónio como amante.

A sua, sem fé nesta vida,
Virginia


in Galway Kinnell, The Book of Nightmares, Boston & New York, Houghton Mifflin Company, 1971: 27-28.

domingo, 26 de novembro de 2017

Põe-te a nu para a criação/Bare your self naked for creation

aos interessados: 

texto-conferência apresentado no encontro DARE 2017 - second international conference on Deleuze and Artistic research - "Aberrant Nupcials", no Orpheus Institut, Ghent, 20-22 de Novembro.

o texto pode ser lido e descarregado pelos sites academia.edu ou researchgate
boas leituras

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

a urdidura em Ghent

duas linhas brancas riscavam paralelas o pálido
azul do céu de outono de Ghent
do outro lado         incapazes de sussurro
                    da parede                           contavam-se histórias
antiquíssimas da condenação de todos
os homens e as mulheres

ela dormia ainda mas já o tédio
assentava a sua poalha nessas bocas
presas a discursos que não são seus
afundadas no mole de sofás
a melopeia sonífera do ecrã
ofendidas por abrirmos caminho
por esse buraco negro em que nos queriam deixar
a vogar                                     e partir para a velha cidade do norte
e ser recebidos à medida
de um cinzento engolindo o espaço em torno
dos corpos e o rosto borrifado pelo cuspo de anjos
com mais gratidão e calor que o acolhimento
dos nossos anfitriões

e reencontrarmo-nos

                                há quanto tempo andávamos por rumos incertos
com os ímanes do coração desnorteando
as bússolas dos sexos         bastou
a indelicadeza            a falta
de privacidade           o cansaço das voltas
no labirinto trazendo-nos como ratos
ao leito e fechados depois no quarto
por não haver comunicação possível entre quem espera
de uma breve estadia a amizade de toda uma vida
e aqueles que se querem no abraço e beijo esperado

fizemos da casa de banho um lupanar
em silêncio o erotismo e a sensualidade gritaram
na língua do desejo         já não
corriam paralelas as linhas da terra que nos tecem
e se desfiavam         retomavam nessa noite a urdidura
na troca de lançadeiras         num mergulho de olho a olho
o pânico do amor apreendido pela certeza
um voto relembrado pelo abismo da carne
e celebrado a todas as luzes de que é feita a noite

retomar o gosto da aventura
como dois estranhos no xadrez da sedução
numa cidade que lhes é estranha e na passagem
do tempo concebem o sentido de comunidade feita
a passo lento nas calçadas e na troca
de ideias que fazem mundo em jardins

e sempre a partida é perdida
indo um e depois o outro
inscrever o seu nome em tábuas
descendo ao longo de rios         ou ditas         pouco
antes de adormecer         do outro lado
da parede          essas histórias antiquíssimas
da condenação de todos os homens e mulheres
no sabor dos encontros e desencontros

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Fiz uma fogueira de assassinar o Pai

«(...)'Descobri que a única coisa que me interessa a fundo é escrever, o resto é vivido por causa disso. Ou seja, tudo o que me interessa a fundo é viver, o resto vai ser escrito por causa disso.' Pensei que estivesse a gozar comigo, mas ela sentou-se na borda da cama e explicou que um dia antes comprara as obras completas de Camilo Castelo Brancoe empilhara esses livros todos na lareira e lhes tinha largado fogo. A chaminé estava suja, as chamas subiram muito alto e houve um fogo na chaminé. Quando os bombeiros quiseram saber o que tinha sido queimado na lareira, ela - parait'il - respondeu qualquer coisa como 'Fiz uma fogueira para assassinar o Pai.' 'O quê?' perguntou o bombeiro. 'O velho Karamazov, meu velho', disse ela.»

in Nuno Bragança, O Riso e a Noite, Moraes Editores, col. Círculo de Prosa, 1ª edição, 1969: 279-280.


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Informação - "O coração estendido pela cidade"



após a apresentação na passada terça-feira - com a honra de o fazer ao lado do poeta Luís Filipe Cristóvão e da poeta-editora Paula Cajaty - passo a informar que O coração estendido pela cidade está já à venda. 

pedidos para: editoragatobravo@gmail.com