terça-feira, 24 de novembro de 2009

terceiro poema

por mais que escrevas,
os poemas, já outros
o disseram, não
te vão salvar, muito
menos o mundo. povoas
a tua vida e o que dela
é feita de sonhos, esboços
de um futuro, que afinal
sempre te será negado. e
dessa descoberta diária
viras-te, então, para
as coisas pequenas,
mergulhas nelas fascinado
sabendo que, da tua derrota
pela linguagem, vinda
da pobreza dos teus poemas
e da grandeza de todos
os outros, um outro
poema se escreve
entre ti e as coisas
escapando à linguagem
e a ti, mal o tentas dizer.
tornas, por fim, o teu rosto
para o dela e nenhuma
terceira derrota te assalta.
tudo é possível de novo.

4 comentários:

Anónimo disse...

Tá bonito

Rui Cancela disse...

hmmmm....
um abraço.

benjamim machado disse...

obrigado aos dois, embora: como se agradece a um anónimo, onde está esse rosto que se virou para o meu? e rui, não sei bem como interpretar a tua onomatopeia, se tivesses escrito "tá tudo fodido", bom, já perceberia qualquer coisa.

um abraço aos dois

Rui Cancela disse...

mas nesse poema não "tá tudo fodido"....
ta tudo num abraço :)