segunda-feira, 6 de julho de 2026
as águas do lago
ao fundo alguém entra nas águas do lago, alguém as atravessa com a morosidade de um mel a escorrer de uma colher para um pão seco, ou para uma boca ávida de quem a beije e depois, com desprezo, a firma, como a um morto. as águas convidam-no para que teste a resistência da solidão no encontro dos corpos. sustém-se, porém, de tragar quem nelas se acomoda. a penumbra quer apenas a luminosidade.
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