domingo, 11 de novembro de 2012

Praça José Fontana a Sº Bento via Praça de Espanha

iamos na rua descendo tantos
anos já sobre sessenta e oito

clamando a sua propriedade furtada
desde antes da sua calcetagem

a raiva por demais silenciada
apertava punhos rostos gargantas

e porém quantos sorrisos em quanta gente
junta como se nada mais houvesse

senão amor a petição da vida a recusa
de se ser reduzido a um número

percorremos a cidade até ao sol
pôr e à noite frente ao palácio a lei

assentou praça na escadaria simbólica
quando o que há são corpos e sua natureza

chovia o que havia à mão de um setembro seco
alguém se imolara diziam ninguém está ileso

da culpa ou da lenta morte oferecida
pelo futuro todos a naufragar na subvida

e a tão pouca distância se enfrentaram os nossos
olhos num jogo entre tristeza e vergonha

2 comentários:

Rita Moura disse...

Belo poema, tal como a manifestação.

benjamim machado disse...

obrigado e sim também concordo.