terça-feira, 20 de dezembro de 2011

s/t



ignoro o ignoto início
(esse instante que foi
de quem se tocou de quem
se escolheu a ser escolhido)
da comunidade de paixão
por ti perdida ao tédio

dos dias. seremos cegos à vida
se dela não colhermos os pequenos
acontecimentos que nos juntam. esses
(a rotina é somente o enquadramento
de uma coreografia de corpos
a fazer há a dança
a grafia da pupila
a procura do encontro)

serão os laços da paixão que o amor
cose – talvez fantasmas de outro tempo
no redor do corpo quando se olha
(ser-te-ei ainda um
mistério como quando
tu me surges ao despertar)

o outro na distância que vai de rosto
a rosto agora desconhecido e tanto
basta a mão para romper fronteiras.

mas eis que tremes com o
(frio fogo e pálido céu
de descontentamento um
anúncio ou indício do fim)
amontoar das coisas da partida
uma outra pele do mundo

sobre a que de origem nos separa.
(paro fica pedes. lanças
a fateixa dos teus braços
ancoras este bote à deriva
neste mar saído dos meus olhos)
a tua mão no corpo em queda
para um outro mundo a recomeçar.

2 comentários:

T disse...

É como uma conversa a meias por parte das duas metades do cérebro - o creativo e o racional/lógico. Gostei, como é costume.

benjamim machado disse...

obrigado, meu.

um abraço.