segunda-feira, 4 de abril de 2011

poema de futuro (revisão)

ela disse
(pelos seus lábios rodava a língua – não estou
certo se estas ou outras palavras perdido
em qualquer reflexo de um empoado espelho e a memória
falha num recesso ou surpreso quedo
e nada disto foi nada terá sido
e amarrado pelo ouvido Ulisses se ilude)
quando ela disse
(sentada na cama e os seus castanhos
olhos de pálpebras fechando o dia
sobre as mãos enovelando-se e
destecendo dedo a dedo a tremura)
será exacto que isso ela
disse – tenho a certeza
juntos vamos ver o fim
do mundo
– e enquanto o disse
(já uma onda de saliva soçobrava
nos lábios e os olhos secos no deserto
dos meus esperando o rosto que me olhasse)
um ligeiro sorriso se lhe aflorou
e eu dei as boas-vindas ao que viesse

(versão original aqui)

2 comentários:

Leonor Um Dia disse...

Gosto (mais desta)

benjamim machado disse...

ainda bem que gostas. pelo menos uma pessoa já faz com que valha a pena seguir escrevendo.