sexta-feira, 22 de maio de 2009

pequena elegia de um ano que passou

para a cris



por vezes olho para ti
e não te conheço e não me és
estranha, apenas inimaginável.
todos os dias isso, essa
surpresa, uma inquietação,
uma tremura que me abre
os poros olhos boca que me rouba
as palavras, se sorris, se me tocas
com os teus gestos femininos
tão próprios. e às vezes penso
se tu, nesses teus silêncios,
não saberás um segredo do mundo
que apenas tu guardas e mo contas,
quando o sono me ensurdece,
para os meus sonhos tranquilos
e os dias desejados ao teu lado.
são tão insuficientes estas palavras
e tão poucas para as tristezas. nada
se alterou ou tudo já não é
o que era antes, porque tudo engrandece
da minha vida no teu corpo e das tuas unhas
no meu corpo. não lances cartas
desenha o mundo e o nosso tempo futuro
nas minhas rugas de partilha. eu e tu
somos outra coisa agora, um pouco mais
de tudo agora do que antes éramos e atrás
já não volto senão para te roubar
uma vez mais o coração.

2 comentários:

mp disse...

...de tirar o fôlego...maravilhosas palavras.

Maria Inês disse...

o título por si, já é de alguma forma assustador, depois do principio ao fim, é realmente forte,forte, violento e belo.
foi giro encontrar-te no metro. continuação de boas viagens. e faça o favor de me escrever caro Benjamim.