segunda-feira, 2 de março de 2009

ensaio para a criação de um falso compulsivo-obsessivo

Acabodeacordaraconteceaceitaracompanharacrescento
Acabodeacordar aconteceaceitar acompanharacrescento
Acabo de acordar acontece aceitar acompanhar acrescento
É quinta-feira, hoje é, sim, hoje é quinta-feira, quinta-feira, três vezes chegam, três vezes, três são nove, nove horas, noves fora nada, nada para esta manhã? O que é que eu tinha de fazer esta manhã, nada, não, três, nove, nada, não há nada na agenda, não que eu me lembre, não me lembro do que havia para fazer esta manhã, nada, não há galos a cantar, lá fora, lá fora pássaros a noite toda, a noite toda a cantar, mais de três, nove, mais de nove, nove e um agora, aos cinco levanto-me, nove e cinco e levanto-me, levanto-me às nove e cinco, até lá faltam seis vezes quatro vinte e quatro, vinte e quatro horas tem o dia dividido em dois são doze e são seis e três, são os quartos, o quarto de banho, só tenho dois quartos e são quatro os quartos, a não ser que eu conte com a sala e a cozinha, aí sim seriam quatro quartos como os do dia que afinal são oito, quatro quartos para o meio-dia e outros quatro quartos para o outro meio-dia, não, não são oito, são nove e dois e não, não são oito quartos mas oito vezes vinte e quatro, ou dezasseis vezes doze, dá o mesmo? Oito vezes vinte e quatro são, são, cento e noventa e dois e dezasseis vezes doze são duzentos e doze. Estou parvo ou quê, é claro que fiz a conta mal: cada hora tem quatro quartos, logo doze horas são doze vezes quatro e o dia são vinte e quatro vezes quatro ou doze vezes quatro vezes dois que são noventa e seis e lá está ainda não são nove e dois, ainda faltam três como noventa e seis que menos entre eles são três e afinal já não faltam seis vezes quatro que não eram seis vezes quatro mas sessenta vezes quatro que eram os segundos que faltavam para as nove e cinco, nove e três, faltam então seis vezes dois, doze, meio-dia, cento e vinte, como sade, cento e vinte dias em sodoma, que nunca, não, nunca li, outros sim, este não, não me poderei esquecer de acrescentar à minha lista de futuros livros a ler.
Nove e cinco, são agora, agora mesmo, nove e cinco, nem mais nem menos do que nove e cinco, cheguei até aqui e agora, agora mesmo já não sei o que fazer mas farei qualquer coisa, tinha dito, ontem, ainda hoje há menos de cinco minutos, quando eram nove e disse, quero dizer, disse a mim mesmo, farás isto, às nove e cinco, nem mais nem menos, porque nove mais cinco são catorze e catorze são um e quatro que dá cinco e não mais não menos depois de passados esses cinco minutos levantas-te e agora, agora mesmo, levanto-me. O que mais posso fazer com cinco, com cinco, sim, tapar e destapar o edredão cinco vezes: um, dois, três, quatro, cinco.
...
(incompleto)

1 comentário:

Maria Inês disse...

Gosto gosto, estava a ganhar o embalo, agora quero saber o que acontece depois do edredão e agora parece que o texto vai lentamente ganhar outra forma e que os números ,as matemáticas, não desaparecerão mas serão menos.
já inaugurei a minha lista de blogs, incluindo o teu, como prometei, repara que não me esqueci mesmo estando um pouco ébria.

acho que os diálogos começam assim, por nada de especial.
a ver se te apareço mais vezes, mesmo que para dizer pouca coisa.*