segunda-feira, 6 de abril de 2026

o choro encontra-me à noite

o choro encontra-me à noite
e o terror repentino da morte
o indefeso coração do meu filho

diz que não terá mais nome nem lar
e ocupará a sua triste solidão
cuidando do seu irmão mais novo

com tão pouca existência sobe-lhe já à boca
o conhecimento dos restos que permanecem
deste tempo de assassinos e narcisos

a morte deixa-nos a vida inominada
disseminada pelos lugares escuros
aproximando cada coisa pelo consolo

face à angústia que o dominava só
pudemos abrir os braços para o acolher mais
a raiva que fremia pelo seu corpo

adiámos a certeza da nossa ignorância correndo
pela lâmina que separa a verdade e a mentira
com o sossego de uma história de boa-noite

a mim não há conto que me valha
o choro encontra-me à noite e os fantasmas
os sonhos que me lembram do meu abandono

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