e o terror repentino da morte
o indefeso coração do meu filho
diz que não terá mais nome nem lar
e ocupará a sua triste solidão
cuidando do seu irmão mais novo
com tão pouca existência sobe-lhe já à boca
o conhecimento dos restos que permanecem
deste tempo de assassinos e narcisos
a morte deixa-nos a vida inominada
disseminada pelos lugares escuros
aproximando cada coisa pelo consolo
face à angústia que o dominava só
pudemos abrir os braços para o acolher mais
a raiva que fremia pelo seu corpo
adiámos a certeza da nossa ignorância correndo
pela lâmina que separa a verdade e a mentira
com o sossego de uma história de boa-noite
a mim não há conto que me valha
o choro encontra-me à noite e os fantasmas
os sonhos que me lembram do meu abandono
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