sexta-feira, 22 de maio de 2015

o muro não sustenta o rosto

choraste as últimas lágrimas enquanto a noite vinha
soubesses a diferença na pesagem do sal
e discernirias se de felicidade ou tristeza
no seio deste cenário tão permissivo

vê tens o lençol verde e ondulado diante dos teus olhos
e nele andorinhas predam nuvens negras de insectos
patos e cisnes deslizam sereníssimos escondendo
de quem os olha as incansáveis patas membranosas

o frio e a pouca vida que resta sob estas águas escuras
mas atrás de ti escutas o chiar do metal do comboio
como um prenúncio sombrio no ranger dos gonzos do tempo

pouco interessa o significado dessas lágrimas
os muros interiores difíceis de se quebrar ruem
quando o seu rosto se encosta ao teu na noite já instalada

2 comentários:

Maria Eu disse...

Não há muros que resistam à ternura de um rosto que se encosta ao nosso.

Fernando Machado Silva disse...

mais ainda e especialmente quando é aquele