sábado, 26 de maio de 2012

arco do cego


sou eu antes a tua sombra
neste jardim mundo entregue

aos corpos ociosos na flor da idade
circundas tudo reconheces marcas

para logo esqueceres e recomeçar
noutro dia a tarefa paulatina

de criação de limiares e limites
perdes-me encontras-me enquanto

tão invisível fico a quem se deleita
atravessado por alheados olhos neste triste paraíso

roubas os poucos sorrisos restantes
a este rosto admirando o ceibo

a ascendência em verso e rima
do cego poeta dos labirintos

ou descorçoado permanece sentado
enredado na memória que teima em azulá-lo

quando partimos e nenhum anjo nos expulsou
já o sol nos cobre os dorsos e os passos menos lestos

pouco nos querem levar onde ninguém nos espera
embora deixemos sempre uma janela aberta

2 comentários:

jw disse...

o raio do ceibo
http://www.flickr.com/photos/cml/2107193906/

benjamim machado disse...

é bonito, não é? parecem garras de felino com verniz