segunda-feira, 23 de agosto de 2010

a frágil linha

"Quem poderá traçar no arco-íris que marque onde acaba o violeta e começa o laranja? Vimos distintamente a diferença das cores, mas em que ponto exactamente se interpenetram? O mesmo acontece com a razão e a loucura. Nos casos extremos, não há dúvidas quanto à sua separação, mas noutros casos, com diferentes graus de distanciação, poucos ousariam traçar a linha fronteiriça, embora alguns especialistas profissionais o façam a troco de uns honorários. Não há nada que certos homens não façam por dinheiro. Em resumo, há situações em que é praticamente impossível dizer se um homem está são ou se começa a ficar demente."

Herman Melville, Billy Budd, Lisboa, Biblioteca editores Independentes, trad. José Sasportes, 2010: 91-92.

3 comentários:

madmax disse...

Achas que sim????

O que seria eu para ti?

O demente ou o são?

Para mim loucura é prostituir-me durante anos em troca de qq coisa, e atenção que a minha concepção de prostituição é vasta...

Na verdade, acredito que apesar de meter um certo estilo achar que se trabalharmos durante 50 anos num escritório sem janelas e com luz artificial é loucura, comparado por exemplo com a familia mason, a verdade é que a maioria das pessoas opta por fazê-lo... e não os considero loucos, apenas homens de acção.

Loucura, Demência, são tudo apenas clichés que já cheiram mal, o que nos deve ocupar o pensamento são outras coisas...

madmax

benjamim machado disse...

sim, acho que a linha é muito fina e que cada um a atravessa de vez em quando sem nunca chegar realmente a saber de que lado está.

por outro lado, há uma interpretação tua de homens de acção que me custa muito, melhor, nem quero engolir; leitura essa que facilmente cai num extremismo, valorizando casos, pessoas, gestos que nunca terás o meu apoio (manson e quejandos).

a mim interessam-me certos casos limite (talvez porque tenha vindo do teatro e da performance) e, por exemplo, certos autores do limite (artaud, bataille, ünica zurn, emma santos, klossovski, etc.). se eram loucos ou não, não me interessa, mas o que eles dizem e me põem a pensar, valorizo. se isso, a loucura, a demência, é ou não cliché e cheira mal? talvez, não sei. devêmo-nos ocupar com outras coisas? também concordo, desde que não cheirem a auto-comiseração, a ódio a tudo e todos.

sacana disse...

*palmas*