sábado, 27 de março de 2010

um deus que soletra a vingança

acendemos um cigarro
ao medo na noite, fechamos
os olhos confiantes na prosperidade
que a vida nos traz junto
a essa outra num corpo deitado
ao lado, confundindo o lençol
com o calor que o nosso próprio
vai soltando. até que a firmeza
do futuro rui pela calamidade,
a força da terra, e ouves baixinho
um deus que soletra a vingança.

6 comentários:

T disse...

Ainda ontem, num estado ébrio, falei com um amigo meu que é escritor sobre o ritmo natural de cada poema e de como se podia também usar a arritmia num poema. Acho que este texto retrata um pouco dos dois.

benjamim machado disse...

obrigado, mas fiquei a pensar se isso é bom ou mau, quero dizer, se não poderá ser lido como um defeito, uma fraqueza do poema, da minha própria escrita?

T disse...

Não só isso, como pelos vistos tens outra coisa em comum connosco. Interpretas tudo da pior forma possível, por mais descabido que seja =P

benjamim machado disse...

pois, sempre me disseram que eu era um pouco pessimista a mais, para além de deturpar tudo o que me dizem; mas vou melhorando aos poucos e poucos.

filipe quaresma disse...

"guardemos o pessimismo para tempos melhores"

benjamim machado disse...

sim, parece-me um bom conselho, filipe. mas penso agora, depois de ti, que nem nos melhores tempos haveria de haver (?) lugar a qualquer pessimismo, nunca o melhor tempo será o melhor, sempre um melhor é possível, não achas?