sábado, 13 de março de 2010

a faca

para os meus irmãos

jogávamos ao mundo
ou como é que esse jogo
espécie de risco
se chama, frente à casa
da minha avó. o círculo
desenhado com mestria
infantil por um graveto
ou a bota enlameando-se. a mim
não me foi permitido participar
a disputa era entre os mais velhos
irmão e primos e eu
aprendia, vendo, para mais tarde,
já grande, saber como conquistar
o respeito de desconhecidos.
lançavam-se, creio eu, três vezes
a faca à terra e traçava-se
um pequeno território. a discussão
não tardou e a faca atirada
procurou o redondo do rosto de um
dos meus irmãos. foi o cabo,
por sorte, que embateu. logo
o choro e a gritaria e o concílio
dos ainda mais velhos
deu por terminada a guerra
tratando dos dói-dóis
com beijos bolos sumos
salame de chocolate.
daí em diante,
em cada discussão,
mantive sempre um olho
nos argumentos o outro nas mãos
à procura de facas
não sabendo qual
a mais perigosa.

2 comentários:

Maria Inês disse...

bom!
obrigada.
tanto,
este é daqueles que tu queres levar, colar não sei bem onde como se colam imagens nas paredes do quarto. devia colar também poemas, colaria este.
gosto tanto que me aproximo dele ao ponto de sentir que é meu e que fui eu senti.
isto que tu criaste é um poema.

desculpa pelo outro, talvez pela obrigação não sei bem, dá-lhe um outro peso, peso das palavras acertadas. está iniciado um comentário num doc word sempre miminimizado no meu ambiente de trabalho.

Beijo de Lisboa

benjamim machado disse...

obrigado eu, maria inês.

mas já agora, podes enviar-me a ligação para aquele poema no teu novo blog para que eu cumpra a minha parte da promessa?

beijos cá de portimão, meus, da cris e do vila