terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

tempo ainda para sonhos

e tu pensas e nunca foste
um fatalista e mesmo assim
tu pensas e dizes aconteça
o que acontecer assim
será e faças o que
fizeres só tu no final
te podes culpar
ou felicitar do sucedido

o tempo de dois corpos
tem o seu tempo que não é
o mesmo de medidas e
podem se desencontrar
quando nenhum dos dois
faça por isso e essa
ausência pensas tu
que não queres passar e fica
à porta do teu coração
sempre que um ou o outro
se vai e de cada vez dizes
resta-me ainda um pouco
de sono por este corpo
de todo este dia que te fez
feliz até à chegada da noite
e dizes ainda vamos
sentar-nos à mesa passear
o cão arranjar uma mobília
onde caibamos até que venham
os filhos nesse outro
desencontro dos sonhos.

1 comentário:

Maria Inês disse...

Bom! Já agora, deixo também palavras neste,
este está bem desenhado, funciona muito bem sonoramente,ritmicamente, agrada-me o jogo,
os quotidianos agradam-me sempre como poesia, por isso, este é o meu trecho:

'(...)uma mobília
onde caibamos até que venham
os filhos(...)'