quarta-feira, 31 de agosto de 2011

canção à tua noite


a noite finda à tua pálpebra
lastro de lume névoa negra
fímbria de outro mundo onde
serás feliz retirada entre
lençóis e volúveis peixes azuis.

segue segura pela urdida
leira prenhe de urze e chorões
rodeando faróis e fragas. traz
bastas provisões e vidências
desse longínquo lugar só teu

domínio de lares e anjos
musas das artes e ofícios
fosses mais espiritual seriam
esses os nomes dos restos do real
com quem tens estreitos diálogos.

mas regressa pela manhã à luz
dos frágeis estores para mim e
relata nessa rouquidão de quem
tudo calou em tudo dizendo
o fim do mundo pelos teus olhos.

9 comentários:

T disse...

Um bom texto, como é costume.

benjamim machado disse...

obrigado. deu-me algum trabalho, na verdade, fazer com que cada verso tenha dez sílabas (acho que só um é que não tem).

grande abraço

T disse...

Nunca tive coragem (paciência) para me dedicar assim a um texto. Nem os esquemas rimáticos consigo manter. Mas um dia tenho de experimentar.

Leonor Um Dia disse...

também gosto!

benjamim machado disse...

obrigado. vêmo-nos dia 10?

Andressa C. disse...

e
relata nessa rouquidão de quem
tudo calou em tudo dizendo
o fim do mundo pelos teus olhos.


demais!

benjamim machado disse...

muito obrigado andressa!

ah t. (desculpa andressa ocupar o teu espaço de resposta) experimenta que é um bom exercício; se correr bem, melhor ainda. pelo menos quatro pessoas gostaram.

abraços aos dois

André C. disse...

não sei como me escapou este teu poema na minha última visita. ainda bem que regressei.
quase pareceu que por momentos, aquando da leitura, fui eu a caminhar por essa paisagem onírica. muito bom.

benjamim machado disse...

é pá, daqui a bocado fico sem palavras!

um abraço andré.