sábado, 20 de novembro de 2010

dois poemas antigos (revisão)

a tua respiração ondula
quando a minha mão
passeia pelas tuas costas
curva e estala sob o meu aperto

trocamos o ar
face frente a face
as palavras humedecidas
quentes junto ao sexo
o anel carnudo dos teus lábios de
cereja madura por trincar

serei talvez uma eterna criança até
à morte sob esta barba que tenho de fingir
toda uma arte de esconder a ignorância e a verdura
mas já o outono nos ossos e tarda
o rebento no útero.
os olhos vão pela noite.

amor
um piscar de olhos
estas palavras escritas no ar
reverberando dentro das paredes e
voltando a nós. isto é
um espelho de moscovite

um pouco de carne
nesta cama suada
um cinzeiro de segredos cinza e glossolália

e
nós dois a dormir

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a luz um peixe
dourado nos olhos
passa como uma lâmina
e o frio junta-se à garganta.

outono, espinho de rosa seca
mel acobreado em lábios bruscos

dois dedos passam nos lábios um do outro
batôn, argila ao sol
novo mapa, mercado negro
de beijos, as nuvens cortadas

a chuva preparada para mais tarde
além colinas de cinza e carvão

(partimos para o lado oposto das nuvens)

2 comentários:

T disse...

Acho que com esta conquistaste o meu respeito literário até um de nós morrer, pá.

benjamim machado disse...

com esta é que não estava à espera. muito obrigado, sabe bem ler estas palavras, ainda por cima quando tenho andado com vontade de mandar tudo para o diabo, como se costumava dizer: para o diabo este blog, a escrita, enfim, quase tudo.

abraço