segunda-feira, 5 de julho de 2010

a mão pela areia

devolvo-te as mãos, os gestos,
que mais pode este homem
fazer na preenchida praia
da sua maturidade. aos poucos
enterra as mãos pela areia
sente cada grão a queimar
e do fundo traz, rodeando-as
o polvo da sua infância.
ofereço-to, diz enrolando a língua,
podes começar a amar-me
por aqui, lê cada marca
neste corpo salgado.

4 comentários:

T disse...

Meu, eu queria voltar a escrever um dia destes, porque me fazes isto?

benjamim machado disse...

foda-se! isto não é nada, nem um décimo do que quero escrever e tu tens de fazer o mesmo, continuar mais e mais. não me venhas cá dizer que isto é bom (mas obrigado, sinceramente)

cristina disse...

hey!!! quem aceita uma crítica negativa também tem de aceitar uma positiva sem merdas, se com as más baixamos as orelhas com as boas coramos um bocadinho e pronto!, assim não faz sentido... assim vale a pena dizer-te o quão caranguejo me estou a sentir? ...vale, claro.

benjamim machado disse...

tens razão cris... às vezes o meu pessimismo (e o do T, se calhar) mais parece uma profissão de vinte e quatro horas que não me permite aceitar as boas críticas, como aceitar uma rosa sem espinhos e não saber como lhe pegar porque um poderá ter escapado e de certeza que esse nos vai picar, senão num dedo, no coração.