segunda-feira, 26 de abril de 2010

a minuciosa despedida

queria trazer-te uma palavra
nova e pô-la a rolar
na tua boca. desde o primeiro
beijo a minha morte
está ligada à tua vida.
espalhei os teus desenhos
e eu sobre eles à procura
do meu rosto junto onde
o teu está. os desejos
e promessas cercam
a surdez de deus.
deixa que eu parta
o mundo já tem
fealdade suficiente.
eu morro é certo
e tudo continua.
o adeus só conta
se com ele tudo se afundar.
mas escrevo ainda
e também sol
esta estrela de três letras
maior aqui mais
luminosa na tua boca
se agora a proferires
do que essa para lá
dos teus óculos escuros.
a morte não me traz
grandeza e guardo
para mim o dia
que me agigantaste
dando-me banho e o choro
era a desculpa do sabão nos olhos.

*

nota - este é o último

3 comentários:

Gui disse...

Um Adeus resulta sempre num Olá!

Anónimo disse...

Um poema muito bonito. Um abraço. Rui Pedro

benjamim machado disse...

obrigado aos dois pelos comentários