queria trazer-te uma palavra
nova e pô-la a rolar
na tua boca. desde o primeiro
beijo a minha morte
está ligada à tua vida.
espalhei os teus desenhos
e eu sobre eles à procura
do meu rosto junto onde
o teu está. os desejos
e promessas cercam
a surdez de deus.
deixa que eu parta
o mundo já tem
fealdade suficiente.
eu morro é certo
e tudo continua.
o adeus só conta
se com ele tudo se afundar.
mas escrevo ainda
e também sol
esta estrela de três letras
maior aqui mais
luminosa na tua boca
se agora a proferires
do que essa para lá
dos teus óculos escuros.
a morte não me traz
grandeza e guardo
para mim o dia
que me agigantaste
dando-me banho e o choro
era a desculpa do sabão nos olhos.
*
nota - este é o último
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
m80 alternativa
para acompanhar o último poema de "passageiros clandestinos" fica aqui este
iggy pop - the passenger
iggy pop - the passenger
a infância que não foi a tua
mundo de aventuras
de leituras desenfreadas
em luta contra o tédio
das doenças de cama
na segunda infância,
essa em que a imaginação
se torna o vulcão de toda
a solidão. não foram amigos
teus os cavaleiros da távola
ou da triste figura (catorze
anos mearam a mudança
das feições, como hoje, tantas
vezes a boca, de gôndola, se arqueia
no teu rosto de lua cheia).
nada disso foi teu,
tiro aos pássaros,
saqueamentos a árvores de fruto
mergulhos suicidas de rochas
ou de chaminés de barcos
destroçados, o medo e o amor
sempre te impediram os altos voos
de Ícaro. não és melhor
nem pior pessoa por falta
dessas memórias e não choras
pela infância que não foi a tua.
de leituras desenfreadas
em luta contra o tédio
das doenças de cama
na segunda infância,
essa em que a imaginação
se torna o vulcão de toda
a solidão. não foram amigos
teus os cavaleiros da távola
ou da triste figura (catorze
anos mearam a mudança
das feições, como hoje, tantas
vezes a boca, de gôndola, se arqueia
no teu rosto de lua cheia).
nada disso foi teu,
tiro aos pássaros,
saqueamentos a árvores de fruto
mergulhos suicidas de rochas
ou de chaminés de barcos
destroçados, o medo e o amor
sempre te impediram os altos voos
de Ícaro. não és melhor
nem pior pessoa por falta
dessas memórias e não choras
pela infância que não foi a tua.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
herbário
aloendro-de-auto-estrada
amendoeira-de-lixeira
papoila-de-racha-de-cimento
oliveira-de-rotunda
alfarrobeira-de-chão
malmequer-pisado
rosa-seca-de-gaveta-de-armário
geribéria-de-amores-desfeitos
conheço estas entre outras
do herbário crescente do homem
de amanhã. muitas há
cujo nome aguarda
até ao seu florescimento
na electricidade da primavera.
e o teu qual é?
amendoeira-de-lixeira
papoila-de-racha-de-cimento
oliveira-de-rotunda
alfarrobeira-de-chão
malmequer-pisado
rosa-seca-de-gaveta-de-armário
geribéria-de-amores-desfeitos
conheço estas entre outras
do herbário crescente do homem
de amanhã. muitas há
cujo nome aguarda
até ao seu florescimento
na electricidade da primavera.
e o teu qual é?
terça-feira, 20 de abril de 2010
enigmática tatuagem
e ali estava ela
tantas vezes oculta
sob a roupa
e tantas outras
coisas se podem dizer
de ti. não sei
quando foi a primeira vez
se na noite do acto consumado
e a tua perna tombou da cama
se naquela vez em que me chamaste
para o banho e às claras
os nossos corpos se tocaram.
mas sempre cri
que uma tatuagem
para um ocidental
nada é senão um ornamento
e nenhum enigma se diz
de tinta na pele. à noite
e durante o dia o mistério
és tu e as cicatrizes do teu corpo.
tantas vezes oculta
sob a roupa
e tantas outras
coisas se podem dizer
de ti. não sei
quando foi a primeira vez
se na noite do acto consumado
e a tua perna tombou da cama
se naquela vez em que me chamaste
para o banho e às claras
os nossos corpos se tocaram.
mas sempre cri
que uma tatuagem
para um ocidental
nada é senão um ornamento
e nenhum enigma se diz
de tinta na pele. à noite
e durante o dia o mistério
és tu e as cicatrizes do teu corpo.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
alguém lê os mortos
esboço um sorriso
a cada pergunta
tua e com ele
dou a ver a minha
ignorância. o mundo é
cheio de mistérios,
o maior palimpsesto
todos os dias dado
a desvendar. para te responder
teria de arear palavra
a palavra, escavar
um a um
os enigmas, desenterrar
todos os mortos
redivivendo-os
eu sei lá.
talvez por isso os verdadeiros
mistérios não têm resposta
nem a mão do homem
tais como algumas das tuas perguntas
e tantas vezes me vejas a ler um livro.
a cada pergunta
tua e com ele
dou a ver a minha
ignorância. o mundo é
cheio de mistérios,
o maior palimpsesto
todos os dias dado
a desvendar. para te responder
teria de arear palavra
a palavra, escavar
um a um
os enigmas, desenterrar
todos os mortos
redivivendo-os
eu sei lá.
talvez por isso os verdadeiros
mistérios não têm resposta
nem a mão do homem
tais como algumas das tuas perguntas
e tantas vezes me vejas a ler um livro.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
o sarcasmo de um molde
agora questionas,
o que será mais forte
o gene ou a educação?
passaste de um a outra,
todo o crescimento da revolta
iconoclasta da família,
através de livros discos roupa.
e agora vêem-te e dizem:
ah ele é isto;
e nenhuma palavra
é tua, realmente.
que ninguém diga que é natural,
nem mesmo no fim da sua vida:
eu poderia ser de outra forma.
um riso teu, pouco ouvido,
não te deixa,
persegue-te
mesmo forçando-te a ignorá-lo.
o que será mais forte
o gene ou a educação?
passaste de um a outra,
todo o crescimento da revolta
iconoclasta da família,
através de livros discos roupa.
e agora vêem-te e dizem:
ah ele é isto;
e nenhuma palavra
é tua, realmente.
que ninguém diga que é natural,
nem mesmo no fim da sua vida:
eu poderia ser de outra forma.
um riso teu, pouco ouvido,
não te deixa,
persegue-te
mesmo forçando-te a ignorá-lo.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
o amor não tem tempo para a traição
respeito os teus desejos
sei da falência da carne
o mergulho misterioso
de um olho
apanhado pelo nosso
o sorriso que desarma
o mais pequeno gesto
da lei de eros
a atenção de um desconhecido
que nos eleva e nos lança
para o centro do universo
a fome de todos os corpos
o jogo a dança até
a antropofagia dos lençóis.
chama-me o que quiseres
humano demasiado humano
curador de uma história da literatura
mas no meu relógio são horas
de partir quando o amor se vê
mascarado de César.
sei da falência da carne
o mergulho misterioso
de um olho
apanhado pelo nosso
o sorriso que desarma
o mais pequeno gesto
da lei de eros
a atenção de um desconhecido
que nos eleva e nos lança
para o centro do universo
a fome de todos os corpos
o jogo a dança até
a antropofagia dos lençóis.
chama-me o que quiseres
humano demasiado humano
curador de uma história da literatura
mas no meu relógio são horas
de partir quando o amor se vê
mascarado de César.
terça-feira, 30 de março de 2010
uma história saturada de mortos
já de nada servem as palavras,
os gestos, eu sei, não são levados
a sério. e temo-nos
um ao outro. agora
dormes gelada, as cinzas
apagadas, a geada embranquece
o campo silvestre. olhando
lá para fora o dia flora
e temo tudo que aí vem.
meu amor
como exemplo
tomemos o que de humano há
em cada um de nós,
eu em ti
tu em mim,
sem definirmos isto ou aquilo
sem defesas, sem muros
esconderijos, ver tudo,
o teu caminho, o meu
caminho, como vieste, como
vim, recolhermos tudo
que esta história já deu
esses rostos, esses ossos, mortos,
acções, nomes, tudo isso
que se levanta,
sobe aos céus
e desce
no escuro,
tudo isso
mal(-)dito, mal feito
perdido em todas as manhãs do mundo
quando nós somos a magnificência
o milagre, a epifania
nem animal nem anjo
nem demónio, mas tudo isso misturado.
eu que deixei de acreditar
eu, agora, trinta anos, fumo, bebo
rodeado de toda a tecnologia do homem
assusto-me com um grito de uma perdiz
ali fora na seara alentejana. sei que
os pássaros já não dormem
cantando todas as noites e dias
ao nosso ritmo
e choro,
meu amor,
choro
num verso, por um verso
nos teus desenhos
em todos os desenhos
ao ouvir música
em todas as formas
de arte. quero um filho,
qualquer que seja o seu sexo,
quero um filho
mas não o quero aqui
meu amor
connosco
e não tenho histórias para lhe contar
senão a morte ao deitar e nós
nós podemos tanto.
os gestos, eu sei, não são levados
a sério. e temo-nos
um ao outro. agora
dormes gelada, as cinzas
apagadas, a geada embranquece
o campo silvestre. olhando
lá para fora o dia flora
e temo tudo que aí vem.
meu amor
como exemplo
tomemos o que de humano há
em cada um de nós,
eu em ti
tu em mim,
sem definirmos isto ou aquilo
sem defesas, sem muros
esconderijos, ver tudo,
o teu caminho, o meu
caminho, como vieste, como
vim, recolhermos tudo
que esta história já deu
esses rostos, esses ossos, mortos,
acções, nomes, tudo isso
que se levanta,
sobe aos céus
e desce
no escuro,
tudo isso
mal(-)dito, mal feito
perdido em todas as manhãs do mundo
quando nós somos a magnificência
o milagre, a epifania
nem animal nem anjo
nem demónio, mas tudo isso misturado.
eu que deixei de acreditar
eu, agora, trinta anos, fumo, bebo
rodeado de toda a tecnologia do homem
assusto-me com um grito de uma perdiz
ali fora na seara alentejana. sei que
os pássaros já não dormem
cantando todas as noites e dias
ao nosso ritmo
e choro,
meu amor,
choro
num verso, por um verso
nos teus desenhos
em todos os desenhos
ao ouvir música
em todas as formas
de arte. quero um filho,
qualquer que seja o seu sexo,
quero um filho
mas não o quero aqui
meu amor
connosco
e não tenho histórias para lhe contar
senão a morte ao deitar e nós
nós podemos tanto.
segunda-feira, 29 de março de 2010
o longo entardecer da eternidade
o último momento já não
o recordas e forças-te a agarrá-lo
susténs a respiração
talvez para a adequar
à última ou ao peso
que sobre o teu peito
se molda, o corpo já pouco
presta, porém a prova
da tua presença joga-se por ele.
ouves mais perto o teu
coração, a rouca batida
estás vivo estás vivo
ou assim julgas entender
pois nunca estiveste
tão próximo de ti
ou de tão frágil fio de luz
que de onde não sabes
e cai cortando o breu
e nunca tinhas reparado
nas diferentes matizes
de que o dia é feito
até que morreste
soterrado, desconhecido.
o recordas e forças-te a agarrá-lo
susténs a respiração
talvez para a adequar
à última ou ao peso
que sobre o teu peito
se molda, o corpo já pouco
presta, porém a prova
da tua presença joga-se por ele.
ouves mais perto o teu
coração, a rouca batida
estás vivo estás vivo
ou assim julgas entender
pois nunca estiveste
tão próximo de ti
ou de tão frágil fio de luz
que de onde não sabes
e cai cortando o breu
e nunca tinhas reparado
nas diferentes matizes
de que o dia é feito
até que morreste
soterrado, desconhecido.
domingo, 28 de março de 2010
sou o medo de Deus, a minha mão agarra a arma que soletra a vingança
não raras são as vezes
em que os desejos
se viram contra o desejante.
sempre alguma coisa se insufla
num esconderijo, às claras,
e dele só temos o facto de esconder,
não é sua função o acto.
o medo também salva.
o amor também se perde.
o perdão também se ganha.
não quero a vingança do meu lado
o plano comezinho de alguma retribuição
antes um mergulho no mar
a um prato frio, antes
o rosto frente ao rosto, palavra
a palavra, um poema
que desarme e ame.
em que os desejos
se viram contra o desejante.
sempre alguma coisa se insufla
num esconderijo, às claras,
e dele só temos o facto de esconder,
não é sua função o acto.
o medo também salva.
o amor também se perde.
o perdão também se ganha.
não quero a vingança do meu lado
o plano comezinho de alguma retribuição
antes um mergulho no mar
a um prato frio, antes
o rosto frente ao rosto, palavra
a palavra, um poema
que desarme e ame.
sábado, 27 de março de 2010
um deus que soletra a vingança
acendemos um cigarro
ao medo na noite, fechamos
os olhos confiantes na prosperidade
que a vida nos traz junto
a essa outra num corpo deitado
ao lado, confundindo o lençol
com o calor que o nosso próprio
vai soltando. até que a firmeza
do futuro rui pela calamidade,
a força da terra, e ouves baixinho
um deus que soletra a vingança.
ao medo na noite, fechamos
os olhos confiantes na prosperidade
que a vida nos traz junto
a essa outra num corpo deitado
ao lado, confundindo o lençol
com o calor que o nosso próprio
vai soltando. até que a firmeza
do futuro rui pela calamidade,
a força da terra, e ouves baixinho
um deus que soletra a vingança.
sexta-feira, 26 de março de 2010
cheguei ao fim do livro
ler um livro
não é como um big bang.
há uma certa demora
uma sedução, enamoramento,
os dedos passando pelas lombadas,
atracção dos olhos aos nomes
e destes às letras, às palavras,
às frases, aos parágrafos.
o ritmo evolui em
pulsação, vibração,
até se dar o encontro
de respirações, a abertura
de vasos comunicantes
de um ao outro e sobre
o tempo um outro tempo
uma dobra sobre o tempo
envolvendo o livro e nós
até não poder mais
e explodir. talvez isso
já seja o big bang. fechei
o livro e segui para a rua
à tua procura.
não é como um big bang.
há uma certa demora
uma sedução, enamoramento,
os dedos passando pelas lombadas,
atracção dos olhos aos nomes
e destes às letras, às palavras,
às frases, aos parágrafos.
o ritmo evolui em
pulsação, vibração,
até se dar o encontro
de respirações, a abertura
de vasos comunicantes
de um ao outro e sobre
o tempo um outro tempo
uma dobra sobre o tempo
envolvendo o livro e nós
até não poder mais
e explodir. talvez isso
já seja o big bang. fechei
o livro e segui para a rua
à tua procura.
quinta-feira, 25 de março de 2010
cheguei ao fim da rua
kurt schwitters explica bem
a divagação misteriosa de
uma mulher numa rua
e o olho privado que a segue.
a cada passo há o mistério
o susto, todo o mundo
possível, como encontrar-te
de mão dada a outro
homem. cheguei ao fim
da rua, segui para casa
e para pensar noutra,
coisa, comecei a ler um livro.
a divagação misteriosa de
uma mulher numa rua
e o olho privado que a segue.
a cada passo há o mistério
o susto, todo o mundo
possível, como encontrar-te
de mão dada a outro
homem. cheguei ao fim
da rua, segui para casa
e para pensar noutra,
coisa, comecei a ler um livro.
segunda-feira, 22 de março de 2010
infância
arrastar os pés pelos montes
de folhas secas de plátano
de casa até ao cantinho
da várzea em colares
segurando a mão de uma gigante
mãe. brincar às escondidas, à noite,
dos meus irmãos, com o nosso
primeiro cão, o bóris,
cabendo na palma do meu pai
com um maço de sg gigante.
descobrir e assustar-me com besouros
que voavam uma vez
desenterrados do banco de areia.
festas de anos sem amigos
em setembro e o outono
a aproximar-se da roupa. trocar
uma mãe por outra
quando a primeira partiu
com um dos meus irmãos doente
e voltar a ela quando tudo estava bem.
ganhar o primeiro prémio
de caligrafia, passando a escrever
a caneta, e mantê-la até hoje,
(a caligrafia). aprender
o silêncio com o meu pai
que só hoje o desmancha.
não aparecer na maior parte
das fotografias de família.
chamarem-me de Michelin,
chorar o primeiro choro de morte
lembrar tudo pelo cheiro
partir vidros à bola
esconder as chaves dos cacifos
para ver as meninas na sala de aula
com os seus vestidos de bailarina.
ser vilipendiado publicamente
como forma de castigo por uma
brincadeira de criança.
ser acusado de mentiroso
e não saber porquê
e começar a escrever
para guardar
para ninguém
para todos sem excepção
para não esquecer
e celebrar porque sim
a minha única vida.
de folhas secas de plátano
de casa até ao cantinho
da várzea em colares
segurando a mão de uma gigante
mãe. brincar às escondidas, à noite,
dos meus irmãos, com o nosso
primeiro cão, o bóris,
cabendo na palma do meu pai
com um maço de sg gigante.
descobrir e assustar-me com besouros
que voavam uma vez
desenterrados do banco de areia.
festas de anos sem amigos
em setembro e o outono
a aproximar-se da roupa. trocar
uma mãe por outra
quando a primeira partiu
com um dos meus irmãos doente
e voltar a ela quando tudo estava bem.
ganhar o primeiro prémio
de caligrafia, passando a escrever
a caneta, e mantê-la até hoje,
(a caligrafia). aprender
o silêncio com o meu pai
que só hoje o desmancha.
não aparecer na maior parte
das fotografias de família.
chamarem-me de Michelin,
chorar o primeiro choro de morte
lembrar tudo pelo cheiro
partir vidros à bola
esconder as chaves dos cacifos
para ver as meninas na sala de aula
com os seus vestidos de bailarina.
ser vilipendiado publicamente
como forma de castigo por uma
brincadeira de criança.
ser acusado de mentiroso
e não saber porquê
e começar a escrever
para guardar
para ninguém
para todos sem excepção
para não esquecer
e celebrar porque sim
a minha única vida.
domingo, 21 de março de 2010
o relatório
primeiro eu
olhei para ela
depois ela
olhou para mim
de seguida um
à vez desviou
o olhar. e voltei
para ver se ela
me olhava enquanto
ela procurava ver
se eu me perdia
nela como uma
gota de água
se mistura
numa onda. já
não sei se eu nela
ou ela em mim
se afogou e
desde então
mergulho
de olhos abertos
no seu corpo.
olhei para ela
depois ela
olhou para mim
de seguida um
à vez desviou
o olhar. e voltei
para ver se ela
me olhava enquanto
ela procurava ver
se eu me perdia
nela como uma
gota de água
se mistura
numa onda. já
não sei se eu nela
ou ela em mim
se afogou e
desde então
mergulho
de olhos abertos
no seu corpo.
sexta-feira, 19 de março de 2010
gumes
toda a vida
nos ensinaram
a ver as coisas
por dois lados,
sendo sempre uma
o inverso da outra
mas nós somos um
humpty-dumpty
um passo em falso
e partimo-nos
nos ensinaram
a ver as coisas
por dois lados,
sendo sempre uma
o inverso da outra
mas nós somos um
humpty-dumpty
um passo em falso
e partimo-nos
segunda-feira, 15 de março de 2010
domingo, 14 de março de 2010
homens que não podem ser chamados
não deixes de tentar
um dia o teu nome
servir-te-á
inesperadamente
vindo da memória
se alguém o disser
depois da tua morte
ao ler estas páginas
um dia o teu nome
servir-te-á
inesperadamente
vindo da memória
se alguém o disser
depois da tua morte
ao ler estas páginas
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