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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Informação - Nova exposição na Sede, hoje, 22h00




Inauguração da nova exposição na Sede, 3 de Fevereiro, 22h00

"Erradia - Desenho Aberto", de Paulo Ansiães Monteiro, é a nova exposição da Sede. Inaugura na próxima sexta-feira, 3 de Fevereiro, às 22h00.
Pintor, ilustrador, criador de livros, performer, colaborador de editores, músicos, cineastas, escritores, Paulo Ansiães Monteiro é um artista que escapa a classificações e categorias simples. “Erradia – Desenho Aberto” inclui alguns dos trabalhos mais representativos do artista e numerosos inéditos. Para descobrir até 1 de Abril.

Contamos com todos.
ªSede fica na Rua de Santa Catarina, 787, no Porto, em asede.pt ou nofacebook.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Informação - 16 de Junho, exposição de Anabela Santos na Casa dos Frutos Divinos



"Anabela Santos inaugura a vertente de Galeria de Arte da Casa dos Frutos Divinos – Alojamento Local, com uma exposição individual de pintura a óleo. (...) Ainda sobre esta exposição e na reflexão que faz sobre o seu trabalho artístico, Anabela Santos partilha connosco a sua visão: “A arte não vem servir um gosto. A arte vem servir uma experiência, uma disponibilidade para a identificação com a alma. Vem servir o oculto. Vem servir a humanidade trazendo o tempo no qual não está inserida. Porque a arte não tem um tempo, tem uma interna eternidade. Ela traz-nos algo ao qual ainda não chegamos, preparando-nos.” 


Nota Biográfica: Anabela Santos nasceu em França, em 1984, na localidade de Manosque. Veio viver para Portugal aos seis anos, onde fez todo o seu percurso escolar. Em 1998, seleciona Artes para completar o secundário no Instituto Educativo do Juncal. Em 2003 matricula-se na ESAD.CR em Artes Plásticas, termina a licenciatura em 2008, com 15 valores. Em 2009 expõe na Biblioteca Campus da Caparica FCT, em 2010 na Plataforma Revolver, Lisboa. Participa no projeto Matriz Caldas em 2011 e no livro Esquecer Saramago em 2012. Actualmente vive em Caldas da Rainha e trabalha em Óbidos.
Óbidos, 14 de Junho de 2013, Lino Romão, Galerista & Curador."

sobre a artista podem também consultar o seu blog aqui


sexta-feira, 3 de junho de 2011

informação - seis membros



seis membros é um projecto que musica e desenha ao vivo poemas, retratos e transforma músicas já existentes, contando com a participação de cláudio pereira, cristina viana e eu próprio.


estão todos convidados a aparecer.

NOTA - é em tavira, já agora.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

informação - ciclo de cinema em homenagem a José María Nunes



Sexta-feira, 3 de Junho, às 21h (Severa)
Documentário " Nunes, Anarquia Visual"
Realizador: Medi Terraza (em princípio vai cá estar)
Duração: 27 minutos
José María Nunes viveu à margem das regras do jogo do cinema. Foi um realizador cinematográfico que nunca fez qualquer concessão à pressão comercial. Português de nascimento, viveu em Barcelona a maior parte da sua vida, cidade na qual levou a cabo toda a sua trajectória cinematográfica. Declaradamente iconoclasta e membro destacado da chamada Escola de Barcelona, reconhecido como o seu mestre e "líder" idealista
Sexperiencias (1969)
Argumento, guião e realização: José Maria Nunes
Duração: 100 min
O título Sexeperiencias procede da dupla pluralidade da experiência (um S
ao início e outro no fim). O filme carece de argumento. Trata das
reacções de um homem mais velho e uma rapariga jovem perante as notícias
que em 1968 aparecem na imprensa. O Maio francês, o Vietnam, Biafra? É
dispersa, aparentemente desconexa. As personagens encontram-se nas
situações mais ilógicas: num cemitério de comboios, numa casa em ruínas
onde uns rapazes editam uma revista? Não há ruído de passos, as portas,
quando se abrem ou fecham, não se escutam.

Sábado, 4 de Junho, às 21h (BOESG)
(Com jantar às 19h30)
Noche de vino tinto (1966)

Argumento, guião e realização: José Maria Nunes
Duração: 105 min
Ela e o Rapaz encontram-se, ao início da noite. Ambos decepcionados com
as respectivas relações amorosas.
não se conhecem, mas sentem-se identificados por uma situação similar de
solidão e abandono. Decidem percorrer as melhores tabernas, que o Rapaz
bem conhece, numa tentativa de alcançar o último céu do vinho tinto.
O Rapaz ensina-lhe que beber vinho deve ser um ritual. E inicia-se para
os dois uma noite quase poética, quase mágica, à qual aportam a ilusão
de esquecer as suas frustrações sentimentais.

Domingo, 5 de Junho 18h (Guillerme Cossoul)
Documentário sobre o Nunes
La Edad del Sol (2010)

Realizadora: Sílvia Subirós
Duração: 25 min
La Edad del Sol trata sobre José Maria Nunes, um director vinculado à
chamada "Escola de Barcelona", que aos seus 79 anos decide avançar com o
projecto de realizar um filme, Res publica, onde o protagonista e
alter-ego do cineasta se despede dos seus amigos quando decide pôr fim à
sua vida.
Res publica (2009)
Guião e realização: José Maria Nunes
Duração: 98 min
Cada indivíduo pode decidir a sua liberdade.
Um homem explica o seu suicídio, longamente meditado, como manifestação
de protesto contra esta época em que lhe tocou viver. Tenta fazer uma
apologia da liberdade que não conseguiu alcançar, apesar da sua rebeldia
permanente, somente nalgumas ocasiões em que amou, com as poucas
mulheres com quem teve relação, com a amizade de uns quantos amigos e
amigas; e com a família, da qual somente ainda conserva o pai. É feliz
quando já sabe que se libertará e conseguirá a absoluta liberdade tão
desejada.

sábado, 16 de outubro de 2010

"o segredo da nova arte, meu bom padre!"



"O pátio do palácio Médicis estava cheio de gente quando Prelado e Blanchet entraram por seu turno. É que acabava de ser aí colocada a última obra de Donatello, o escultor mais célebre desse tempo, e os amadores de arte, os alunos das academias e um grande número de simples curiosos rodeavam e comentavam a estátua recém-saída do molde. Tratava-se de um David de bronze, o David criança que, frágil e fraco, acaba de vencer milagrosamente o gigante filisteu, Golias. Prelado contornara lentamente a estátua e observava agora Blanchet, que enchia de ar as bochechas e encolhia os ombros.
- É então isto, a arte moderna? - resmungava. - Não, realmente, não vejo o que é que... não, realmente...
- Não vedes esta graça um pouco afectada? - perguntou Prelado com uma intensidade onde se fundiam a admiração pela obra de arte e a irritação que nele despertava aquela criatura tão obtusa.
- Não vedes esta atitude deliciosamente amaneirada, provocante, esta inclinação da anca que o pé esquerdo, assente na enorme cabeça cortada de Golias, justifica? E estes dois braços delgados, como as asas frágeis de um vaso, a mão direita segurando a espada e a esquerda, uma pedra? E que estranho trajo, este capacete coroado de louros, estas grevas até aos joelhos, e o rsto do corpo nu?
Mas sabei que em nada disto reside a arte moderna; ela está, isso sim, na presença quase exorbitante da realidade anatómica deste corpo. O rapaz tem os olhos baixos. Olha, possivelmente, o seu próprio umbigo. Ou, pelo menos, o seu rosto sombreado pela viseira do capacete contribui para dirigir para o umbigo as atenções dos espectadores. O que é privilegiado até ao exibicionismo é, nesta estátua, o peito de músculos infantis, mas bem desenhados, o recorte arredondado do tórax, o pequeno ventre redondo e saliente, o sexo pueril abrigado na brandura das coxas. Sim, há como que uma ostentação risonha de todo este corpo sensual e alegre. Nunca a carne estivera a tal ponto presente no bronze.
- É extraordinário - murmurou Blanchet. - Vós falais desta obra ao mesmo tempo como um apaixonado e como um professor de anatomia. Pergunto-me onde está o amador de arte.
- Mas é exactamente esse o segredo da nova arte, meu bom padre! - exclamou Prelado, conduzindo-o para a saída do pátio do palácio Médicis. - Sim, nós abolimos a distância que a contemplação artística necessariamente exige, O que fica, então? Fica: amor mais anatomia. Nós, os toscanos, não somos já pintores nem escultores. Somos apaixonados, amantes... para quem o esqueleto existe. E não apenas o esqueleto: os músculos, as vísceras, as entranhas, as glândulas.
E, virando-se para Blanchet, gritou-lhe aos ouvidos, com uma gargalhada medonha:
- E o sangue, meu bom padre, o sangue!"

Michel Tournier, Gilles e Jean, Lisboa, Publicações Dom Quixote, col. Biblioteca de bolso, trad. Ana Luísa Faria, 1987: 63-64.